Nem sempre o consumidor consegue medir a qualidade de um produto diretamente. E, quando isso acontece, ele tende a buscar sinais externos, como marcas famosas, indicações de influenciadores e celebridades. Mas, cada vez mais a tecnologia tem cumprido esse papel validador.
A tecnologia deixou de ser apenas ferramenta de produção. Hoje, ela funciona como um selo de diferenciação e status. Esse fenômeno ficou claro em uma pesquisa do Google com a Offerwise em 2024. Isso porque o estudo mostrou como os brasileiros associam tecnologia ao prestígio social, e os resultados impressionam:

A tendência pode ser justificada, inclusive, pelo teor das campanhas publicitárias de veículos elétricos. Elas são focadas, sobretudo, em inovação, sofisticação e experiência de dirigir, que despertam emoção, mais do que função objetiva. E essa lógica é explicada pela teoria dos sinais, de Michael Spence (Nobel de economia em 2001): Quando não há como medir a qualidade, o consumidor interpreta marcadores externos como prova de credibilidade.
Nos dias de hoje, a Inteligência Artificial tem se tornado um desses marcadores. Mesmo quando o benefício não é tão tangível, sua presença em um produto já comunica um avanço, modernidade e exclusividade. Mais do que utilidade, o que se vende é a sensação de estar à frente do tempo. Mas nem todo setor aceita esse argumento! Na saúde ou em serviços pessoais, por exemplo, ainda prevalece o desejo por atenção humana. Já na educação, o que se discute é o risco de criar uma confiança cega na tecnologia.
No fim das contas, mesmo que a IA funcione como um forte argumento de marketing, ela ainda poderá ser avaliada pelo valor real que entrega. Até lá, quem sabe transformar tecnologia em comunicação com propósito, reconhecível e memorável, sai na frente.